Valongo

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Escola do Calvario

sexta-feira, 9 de abril de 2010

VALONGO

POEMA SOBRE OS APELIDOS DE VALONGO

O que eu vi em Valongo

Vi um Queijo a beber
A lavrar terra um Furão
Vi um Rato a fazer pão
E um Gaio a tecer
Vi um Lobo a escrever
Petições em papel fino
E com grande desatino
Vi um Santo a dar murros
Um Ganso a tocar burros
E um Coelho a tocar sino

Vi um Sujo a limpar
Um Cuco a carpinteiro
Um Chibéu a sapateiro
E um Corno a barbear
Vi um Pego a costurar
E o que não fazem os mais
Um Mocho a dar jornais
Um Grilo a ferrador
Contarei para onde eu for
Para vergonha dos mortais

Vi em terra andar um Navio
Navegar sem dar trabalho
Vi em Janeiro um Borralho
Andar tremendo com frio
Vi na calceta o meu tio
Trata-lo com bem carinho
Vi uma Rola sem ninho
Uma Melra a jornaleira
Uma Raposa padeira
E um Pombo a beber vinho
Vi andar roto o Janota
Lá para os lados dos Bacelos
Vi de noite dois Camelos
A jogarem a batota
Ainda mais digo de nota
Vi um Conde a sapateiro
Um Pardal a funileiro
A servir uma carriça
Um Pisco a ajudar à missa
E um Duque a mestre louseiro.

Poema cedido por:
António Gonçalves das Neves, de 86 anos,(meu avô por afinidade) nascido e criado em Valongo, Conhece este poema desde tenra idade, o qual mantém vivo na sua memória até hoje.